Tive mais de cem fracassos. E, pra mim, não tem a mínima importância.

Para um artista, o fracasso e o sucesso são iguais. Os dois são impostores.


Quando eu era menor, minha mãe me deu um conselho simples, mas que carrego até hoje:

“Não junte ouro, nem riquezas da terra. Você é pequeno, frágil… vão te enganar com facilidade.”

E foi o que aconteceu.
Meu temperamento nobre, educado, sem traços de agressividade, sempre me deixou muito exposto.

Mas guardei outra coisa: conhecimento.
Sou autodidata nato. Leio de tudo. E quanto mais polêmico, mais me atrai.

Na época, não havia muito material disponível. A “Barça” — aquela enciclopédia famosa — não existia em casa. E antes da revolução digital, tudo era mais difícil.
Na minha sede por aprender, eu mergulhava nas agendas de brinde que meu pai ganhava ao comprar roupas no litoral.
Cada página tinha uma frase. Um “provérbio chinês”, como gostavam de dizer.

Um deles ficou gravado na minha alma:

“O homem que consegue ver os dois lados da moeda está fadado ao sucesso.”

Isso foi por volta de 2005. Eu tinha 15 anos.
Aos 18, entrei na faculdade em Palmas, Paraná — chamada de “a maior biblioteca do estado”.
Procurei o autor daquele provérbio por anos.
Mais que isso: tentei entender o que ele queria dizer.

Na política, virei fanático.
Passei a estudar a direita, a esquerda, com o mesmo empenho. Sem paixões cegas, sem radicalismos.
Achei que isso fosse o “sucesso” de que falava a frase. Mas não era só isso.

Hoje, às 22h10 do dia 08 de julho de 2025, finalmente entendi:

Os dois lados da moeda são o acerto e o erro.
E eles não importam tanto quanto pensamos.

O que importa…
É fazer a moeda girar.

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